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22/02/2021 - Delegada registrou depoimento sem ouvir testemunha, sugerem mensagens da Lava-Jato

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Defesa de Lula enviou ao STF nova remessa de mensagens trovadas entre procuradores A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enviou nesta segunda-feira ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma nova remessa de mensagens trocadas entre os procuradores da força-tarefa da Operação Lava-Jato. Os advogados estão analisando as conversas após o ministro Ricardo Lewandowski autorizar o acesso ao material coletado pela Operação Spoofing. No documento de 118 páginas, a defesa de Lula destaca trechos de conversas, hackeadas em 2019, em que procuradores dizem que uma delegada da Polícia Federal (PF) registrou o depoimento de uma testemunha que não chegou a ser ouvida. Mensagens de 26 de janeiro de 2016 dão a entender que houve irregularidades no processo de tomada de depoimentos. ?Entendeu que era pedido nosso e lavrou termo de depoimento como se tivesse ouvido o cara, com escrivão e tudo, quando não ouviu nada... Dá no mínimo uma falsidade...?, disse o procurador Deltan Dallagnol, então coordenador da força-tarefa. EBC Na resposta, o procurador Orlando Martello sugere conversar com a delegada ?e ver qual estratégia ela prefere?. ?Talvez até, diante da notícia, reinquiri-lo de tudo. Se não fizermos algo, cairemos em descrédito?, disse. Ao falar do caso, os procuradores citam o nome de ?Erika?, sem o sobrenome. ?Concordo. Mas se o colaborador e a defesa revelarem como foi o procedimento, a Erika pode sair muito queimada nessa... pode dar falsidade contra ela... isso que me preocupa.? Uma das delegadas que atuou na Lava-Jato foi Erika Marena. Em 2018, ela passou a fazer parte da equipe do ex-juiz Sergio Moro no Ministério da Justiça e Segurança Pública. Os advogados de Lula, no entanto, não apontam quem seria a delegada citada no documento. Para os defensores do petista, os novos documentos reforçam ?a prática de diversas e graves ilegalidades pela Lava-Jato?. As mensagens analisadas pelos advogados, trocadas por meio de aplicativos de celular, foram obtidas por hackers, que depois tornaram-se alvo da PF, em 2019. O material apreendido pela Spoofing traz diálogos entre integrantes da força-tarefa e também deles com Moro. Em dezembro, Lewandowski autorizou que a defesa de Lula tivesse acesso a todo o material, decisão que foi mantida pela Segunda Turma da Corte. A partir desses relatórios, os advogados de Lula tentam demonstrar que houve parcialidade nas investigações e nos julgamentos das ações contra o ex-presidente. Os advogados buscam anular no STF as condenações nos processos do tríplex do Guarujá e do sítio em Atibaia. Moro e os procuradores não reconhecem a autenticidade nem a legalidade das mensagens. Outras alegações da defesa A defesa do ex-presidente afirma ainda que Lava-Jato adotou como estratégia ?emparedar? juízes dos tribunais superiores para afastar aqueles que pudessem reformar decisões dos juízes de primeiro grau ou para ?criar constrangimentos por meio de investigações ilegais?. Uma das mensagens indicaria, na interpretação dos advogados, a possibilidade de ter ocorrido investigação patrimonial ilegal de ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) pela Receita Federal. Eles também voltaram a apontar a suspeita de que a força-tarefa da Lava-Jato procurou agências estrangeiras fora dos canais oficiais, conforme exigido pela legislação. Em relação aos tribunais superiores, os advogados dizem que as novas mensagens mostram que a ?estratégia e tentar comprometer a independência dos magistrados que iriam analisar recursos da Lava-Jato era ainda mais amplo e envolvia também investigações clandestinas (e ilegais) sobre familiares de membros dos Tribunais Superiores, para tentar atingir indiretamente os próprios ministros?. ?No STJ está se fechando com a história de que vamos buscar os filhos dos ministros que advogam?, diz uma mensagem de 23 de agosto de 2016. Em seguida, um procurador afirma que o ?maior risco hoje ainda é uma nulidade no STF, mais do que uma opinião pública contrária?. Deltan defende que a força-tarefa deveria ir adiante com essa iniciativa porque, na sua visão, ?só há chance de nulidade se perdermos a opinião pública?. Para os advogados de Lula, ?as mensagens analisadas revelam, com todas as letras, que a Lava-Jato fazia investigações ilegais de ministros dos Tribunais Superiores e manipulava a ?opinião pública? como estratégia de conduta?. SyndContentImpl.interface=interface com.sun.syndication.feed.synd.SyndContent SyndContentImpl.type=text/html SyndContentImpl.mode=null Leia mais

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