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06/09/2020 - Moro afirma que a força-tarefa está ameaçada e depende de ação da PGR

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'A Lava-Jato foi a maior operação contra a corrupção na história no Brasil e, infelizmente, tem sofrido reveses neste momento', afirma ex-ministro em entrevista O ex-juiz Sergio Moro afirmou que a Lava-Jato "está ameaçada" e que uma reversão desse quadro depende da ação da Procuradoria Geral da República (PGR). As declarações foram dadas ao jornal ?Correio Braziliense?, em entrevista publicada neste domingo (6). "A Lava-Jato foi a maior operação contra a corrupção na história no Brasil e, infelizmente, tem sofrido reveses neste momento. A continuidade e as condições de trabalho das forças-tarefas do Ministério Público estão ameaçadas. Reverter esse quadro depende muito da Procuradoria-Geral da República", disse o ex-ministro da Justiça ao ser questionado se a operação havia chegado ao fim. Moro avalia que algumas dificuldades no trabalho colaboraram para a decisão do procurador Delta Dallagnol de deixar força-tarefa Ana Paula Paiva/Valor Na última semana, a operação sofreu duas baixas. O procurador Deltan Dallagnol anunciou a sua saída do comando da força-tarefa da Lava-Jato em Curitiba. No cargo, Deltan enfrentava um processo de desgaste e se tornou alvo de ações internas no Ministério Público Federal (MPF), além de estar envolvido em um embate com o PGR, Augusto Aras. Outros oito procuradores da operação em São Paulo assinaram uma demissão coletiva alegando "incompatibilidades insolúveis" com a atuação da procuradora Viviane de Oliveira Martinez. Ela passou em um concurso interno em março e assumiu o setor responsável pelas investigações da Lava-Jato, antes ocupado pela ex-coordenadora da operação Anamara Osório, que foi promovida para Brasília em 2019. Apesar de Deltan ter justificado a sua saída por uma questão familiar, Moro avaliou que algumas dificuldades no trabalho colaboraram para a decisão. "As dificuldades de trabalho da força-tarefa e os vários procedimentos injustos abertos contra ele no CNMP [Conselho Nacional do Ministério Público] tornaram sua permanência cada vez mais penosa", disse. Moro elogiou a atuação do colega à frente da operação e disse que ele "merece respeito e reconhecimento pela sua dedicação e comprometimento com a causa pública". "O procurador Alessandro de Oliveira, que deve substituí-lo, é um profissional sério. Espera-se que dê continuidade ao trabalho", acrescentou o ex-juiz. Em entrevista à reportagem, Oliveira afirmou que não haverá mudança de rumo nos trabalhos da Lava-Jato. "O modelo implantado a partir do paradigma Lava-Jato veio para ficar, pois demonstrou ser eficiente aos seus propósitos, vale dizer, para o efetivo combate à criminalidade organizada de colarinho branco." Questionado sobre a fala do procurador-geral da República de que é preciso "corrigir rumos para que o lava-jatismo não perdure", Moro rebateu. "Não existe 'lava-jatismo'. O que existe são servidores públicos que respeitam o salário pago com dinheiro público e tiveram o cuidado de fazer bem seu trabalho, levando os responsáveis por graves crimes de corrupção a serem punidos de acordo com o devido processo legal. O nome disso é 'respeito à lei e ao contribuinte'", afirmou. Aras, que é crítico da Lava-Jato, e a força-tarefa de Curitiba vêm trocando acusações desde junho. Em meio a esse embate, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, determinou que os procuradores da Lava-Jato enviassem à PGR todos os dados de investigações já colhidos pela operação. A ordem acabou revogada no começo de agosto por outro ministro, Edson Fachin, responsável pelo caso na corte. O próprio Moro sofreu reveses nas últimas semanas. No fim de agosto, o Tribunal Regional da 4ª Região (TRF-4) derrubou decisão do então juiz que havia condenado o ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira por lavagem de dinheiro e associação criminosa dentro da Operação Lava-Jato. Os juízes federais consideraram que não havia provas suficientes para condenar Ferreira. Também no último mês, a Segunda Turma do STF decidiu anular a condenação de um doleiro por envolvimento em um suposto esquema de fraude do antigo Banestado (Banco do Estado do Paraná), em processo que havia sido julgado pelo ex-juiz. O STF acatou recurso da defesa de Paulo Roberto Krug, que havia questionado o fato de Moro ter permitido a tomada de depoimentos referentes à delação de Alberto Youssef depois das alegações finais da defesa. SyndContentImpl.interface=interface com.sun.syndication.feed.synd.SyndContent SyndContentImpl.type=text/html SyndContentImpl.mode=null Leia mais

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